Politização bienalizada

 Por Moacir Zandonai Jr.

Estamos em meio à briga do segundo turno. As duas correntes políticas predominantes no Estado, a exemplo do que ocorreu em 1994, enfrentam-se (leia-se: espinafram-se) pelos votos do eleitorado. As propostas, os jingles, os carros com adesivos, pessoas abraçadas a bandeiras, tudo a que se tem direito. Também uma boa quantidade de baixarias, ninguém é de ferro.

Nestas épocas, vitais para a continuidade da ordem institucional brasileira, alude-se muito a uma das mais perigosas unanimidades que por aqui se instalaram: a de que o eleitor gaúcho é o mais politizado do país. Será mesmo?

Creio que, na verdade, o gaúcho é aquele que mais cedo cristaliza o seu voto, e também aquele que mais se radicaliza em suas opções eleitorais. Isto é uma coisa, politização, outra. Eleições tem a cada dois anos; política, 730 dias por ano, 48 horas por dia. Quantos dos que foram às urnas no primeiro turno já não se lembram dos candidatos a vereador em que votaram, em 1996? Dos que se recordam, quantos acompanham o trabalho de seu legislador? E mais, quantos se lembram em quem votaram para deputado e senador, em 1994?

Pensando para a frente, olhem o que vemos agora: dos muitos que, hoje, estão empunhando bandeiras nas ruas, muitos esquecerão por completo de quem votaram; sequer saberão da vida dos futuros ocupantes do Palácio Farroupilha já em março próximo, mês que, política e eleitoralmente, quase já passou.

A politização é como um remédio de consumo contínuo que ajuda a imunizar contra os males da descivilidade. Deve ser engolido, mesmo com esforço, dia a dia, e não de dois em dois anos. A radicalização sazonal, além de propiciar o surgimento de intoxicações, mostra que não é a alternativa para se compreender o que se passa por aí.

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