Ilha da Pintada em preto e branco

 Texto e fotos: Nestor Tipa Júnior

A Ilha da Pintada, localizada a 20 quilômetros do Centro de Porto Alegre, mostra-nos uma face da contradição de dois mundos totalmente distantes um do outro.

De um lado, casarões de gente importante. Caseiros de cara amarrada vigiam todos que se aproximam pela estrada de chão batido e esburacada, dificultando a passagem de carros, ainda mais em dia de chuva, quando o acesso a ilha fica impossível. De outro lado, casebres de gente humilde, que não preenchem a área de um banheiro de um de seus vizinhos.

Gilmara vive numa casa que fica acima da água, suspensa por palafitas. A casa de duas peças que divide com seu marido Francisco e mais quatro filhos possui algumas mordomias como TV em cores e som. O marido trabalha no estaleiro em frente a sua casa, tem problemas de vista e recebe um salário mínimo.

Ela não pode trabalhar, pois precisa cuidar de quatro crianças. Segundo Gilmara, ela não consegue deixar os filhos na creche pelo fato de faltar documentos para registrar os filhos. Ela alega que não tem dinheiro para fazer os documentos. Outro motivo é porque alegam que Gilmara não vai trabalhar. Muito preocupada com os filhos, prefere cuidá-los a deixá-los com alguma outra pessoa.

Esta é a situação de Gilmara e outras famílias da Ilha da Pintada. Um lugar isolado do resto da cidade que vive da ajuda de grupos que doam roupas e alimentos para uma comunidade sofrida que vê do lado de fora o lazer de fim de semana dos seus vizinhos.

sobre o autor

Nestor Tipa Junior
Jornalista, fundador da 359 Online. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul (Rádio Gaúcha, Rádio Guaíba, Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, Canal Rural e Rádio Rural). Especializado no agronegócio, conquistou 17 prêmios de jornalismo na carreira. Atualmente é fundador e sócio-diretor da AgroEffective Comunicação e Agronegócio, agência de comunicação que atende entidades e empresas do setor rural.

Deixe uma resposta