Dez anos de solidariedade

Por Dagmar Felker

A prova de que, nestas épocas pós-modernas, solidariedade não é uma palavra tão anacrônica assim pode ser encontrada na rua Luiz Afonso, 234, na Cidade Baixa. Lá, desde 1991, é a sede do Gapa/RS – Grupo de Apoio à Prevenção da Aids. Fundado em 03/04/89 por um grupo de pessoas com HIV, familiares, amigos, profissionais da saúde e religiosos, neste mês completa 10 anos de luta contra a epidemia aliando a solidariedade, o apoio e a palavra amiga à denúncia contra a omissão, a indiferença e o preconceito.

O Gapa dispensa maiores apresentações. Tornou-se, ao longo desta década, a maior referência no combate à aids tanto para órgãos públicos quanto para a população em geral. Presta, hoje, assessoria inclusive para o Ministério da Saúde, em Brasília. A ONG que, nas palavras de sua presidente – a socióloga Karen Bruck de Freitas, surgiu da indignação, conta, atualmente, com 70 voluntários prestando serviços em diferentes setores, atendendo diretamente mais de 700 pessoas por mês e, indiretamente, alcançando mais de 50 mil pessoas por ano através de suas ações. Seus serviços são custeados através de projetos aprovados por agentes financiadores, como o Banco Mundial, a Fundação Ford e a Fundação MacArthur. Apesar de tudo isto, ainda busca contar com maior apoio do empresariado para garantir um sistema mais estável de autossustentação local.

Na rápida visita que fiz à sua sede, a simpatia da Alessandra ao me receber e a enorme gentileza da Corina (voluntária) em reunir todos os dados para esta matéria, dão uma pequena amostra do ambiente acolhedor onde, diariamente, portadores do vírus da aids e seus familiares são recebidos. Preenchendo o vácuo formado pelo desrespeito institucional, as discriminações e a recusa dos serviços de saúde em prestar atendimento, desde sua fundação o Gapa desenvolve suas atividades assistenciais priorizando a promoção da cidadania e a compreensão da aids como fenômeno político-social. Para isto, estruturou-se em diferentes núcleos de atendimento coordenados por uma Direção eleita pelos sócios.

Os serviços prestados pelo Gapa  incluem: Serviço de Atendimento Terapêutico (psicoterapia individual e em grupo), Encontro Positivo (troca de experiências entre pessoas com HIV), Plantão de Aconselhamento (informações e orientações à população), Disque Solidariedade (plantão telefônico) e Serviço de Visitação (visitas semanais e festas em hospitais e na Febem).

Na área de Comunicação, o GAPA atua em: Jornalismo (assessoria de imprensa e atendimento a todos os veículos), Relações Públicas (planejamento de campanhas temáticas), Marketing (criação e venda de materiais) e o CID- Centro de Informação e Documentação – único no Estado com acervo específico sobre DST, aids, sexualidade e saúde reprodutiva, com livros, vídeos, teses, periódicos e materiais informativos de vários países, à disposição da comunidade em geral. Através de parceria com a UFRGS este acervo foi submetido a processamento técnico.

Há, ainda, um Núcleo de Ação e Estudos da Prostituição que desenvolve um trabalho de prevenção junto a profissionais do sexo através de: Grupos Sistemáticos (reuniões quinzenais de homens, mulheres e travestis), Intervenções em Territórios de Prostituição e Mapeamento da Prostituição.

Junto às Populações Específicas atua com: Adolescentes de Comunidade de Baixa Renda, Mulheres de Populações de Baixa Renda e Usuários de Drogas e, finalmente, o Núcleo de Estudos e Aconselhamento Jurídico trabalha com as demandas diretamente ligadas à discriminação e violação dos direitos civis relacionados ao viver com HIV/aids.

O crescimento dos casos de aids é um dos problemas vivenciados pelo Gapa, única ONG que presta serviços diários e sistemáticos de assistência e prevenção nesta área. As demandas crescem brutalmente em escala e complexidade. Porto Alegre já é a terceira capital brasileira em número de casos notificados e a epidemia vem atingindo pessoas cada vez mais jovens. As palavras de Karen Bruck de Freitas definem a situação: “Simplesmente o que queremos é continuar sustentando o nosso papel na luta contra a epidemia. Precisamos de solidariedade.”

Por Dagmar Felker

 

A prova de que, nestas épocas pós-modernas, solidariedade não é uma palavra tão anacrônica assim pode ser encontrada na rua Luiz Afonso, 234, na Cidade Baixa. Lá, desde 1991, é a sede do Gapa/RS – Grupo de Apoio à Prevenção da Aids. Fundado em 03/04/89 por um grupo de pessoas com HIV, familiares, amigos, profissionais da saúde e religiosos, neste mês completa 10 anos de luta contra a epidemia aliando a solidariedade, o apoio e a palavra amiga à denúncia contra a omissão, a indiferença e o preconceito.

O Gapa dispensa maiores apresentações. Tornou-se, ao longo desta década, a maior referência no combate à aids tanto para órgãos públicos quanto para a população em geral. Presta, hoje, assessoria inclusive para o Ministério da Saúde, em Brasília. A ONG que, nas palavras de sua presidente – a socióloga Karen Bruck de Freitas, surgiu da indignação, conta, atualmente, com 70 voluntários prestando serviços em diferentes setores, atendendo diretamente mais de 700 pessoas por mês e, indiretamente, alcançando mais de 50 mil pessoas por ano através de suas ações. Seus serviços são custeados através de projetos aprovados por agentes financiadores, como o Banco Mundial, a Fundação Ford e a Fundação MacArthur. Apesar de tudo isto, ainda busca contar com maior apoio do empresariado para garantir um sistema mais estável de autossustentação local.

Na rápida visita que fiz à sua sede, a simpatia da Alessandra ao me receber e a enorme gentileza da Corina (voluntária) em reunir todos os dados para esta matéria, dão uma pequena amostra do ambiente acolhedor onde, diariamente, portadores do vírus da aids e seus familiares são recebidos. Preenchendo o vácuo formado pelo desrespeito institucional, as discriminações e a recusa dos serviços de saúde em prestar atendimento, desde sua fundação o Gapa desenvolve suas atividades assistenciais priorizando a promoção da cidadania e a compreensão da aids como fenômeno político-social. Para isto, estruturou-se em diferentes núcleos de atendimento coordenados por uma Direção eleita pelos sócios.

Os serviços prestados pelo Gapa  incluem: Serviço de Atendimento Terapêutico (psicoterapia individual e em grupo), Encontro Positivo (troca de experiências entre pessoas com HIV), Plantão de Aconselhamento (informações e orientações à população), Disque Solidariedade (plantão telefônico) e Serviço de Visitação (visitas semanais e festas em hospitais e na Febem).

Na área de Comunicação, o GAPA atua em: Jornalismo (assessoria de imprensa e atendimento a todos os veículos), Relações Públicas (planejamento de campanhas temáticas), Marketing (criação e venda de materiais) e o CID- Centro de Informação e Documentação – único no Estado com acervo específico sobre DST, aids, sexualidade e saúde reprodutiva, com livros, vídeos, teses, periódicos e materiais informativos de vários países, à disposição da comunidade em geral. Através de parceria com a UFRGS este acervo foi submetido a processamento técnico.

Há, ainda, um Núcleo de Ação e Estudos da Prostituição que desenvolve um trabalho de prevenção junto a profissionais do sexo através de: Grupos Sistemáticos (reuniões quinzenais de homens, mulheres e travestis), Intervenções em Territórios de Prostituição e Mapeamento da Prostituição.

Junto às Populações Específicas atua com: Adolescentes de Comunidade de Baixa Renda, Mulheres de Populações de Baixa Renda e Usuários de Drogas e, finalmente, o Núcleo de Estudos e Aconselhamento Jurídico trabalha com as demandas diretamente ligadas à discriminação e violação dos direitos civis relacionados ao viver com HIV/aids.

O crescimento dos casos de aids é um dos problemas vivenciados pelo Gapa, única ONG que presta serviços diários e sistemáticos de assistência e prevenção nesta área. As demandas crescem brutalmente em escala e complexidade. Porto Alegre já é a terceira capital brasileira em número de casos notificados e a epidemia vem atingindo pessoas cada vez mais jovens. As palavras de Karen Bruck de Freitas definem a situação: “Simplesmente o que queremos é continuar sustentando o nosso papel na luta contra a epidemia. Precisamos de solidariedade.”

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Dagmar Felker

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