A Gol – nº 3

 Por André Roca

O processo de modernização do futebol está indo por um caminho de mão única. É a junção de grandes empresas com os clubes. Estes entrariam com uma estrutura já formada, um time base e uma história de conquistas. As empresas entrariam, é claro, com um fortíssimo patrocínio que proporcionaria grandes contratações, estádio cheio e, consequentemente, títulos e prestígio.

Entretanto, os clubes gaúchos parecem não gostar da idéia de clube-empresa e preferem continuar apostando sempre em contratações baratas e sem retorno. Quando um jogador se destaca, dificilmente continua por aqui. Para piorar, os valores pelos quais estes jogadores são negociados são muito baixos se considerarmos o mercado no centro do País. Veja só: as qualidades de Dodó ninguém discute. Seu preço, em torno de R$ 20 milhões, estpa dentro dos padrões do futebol mundial. Agora, analise a situação de Christian, vice-artilheiro do último Campeonato Brasileiro. Já vestiu a camiseta da Seleусo (assim como Dodó). Seu preço: o Inter luta para conseguir R$ 10 dez milhões. Será que Christian não é tudo isso que dizem? Quem ainda tiver alguma dúvida é só aparecer no Beira-Rio em dia de jogo e conferir de perto o talento deste goleador. Então como explicar essa desvalorização?

Ela faz parte de um sistema que envolve os clubes e as federações que lhes representam. O Gauchão, por exemplo, é um campeonato desvalorizado por apresentar times de baixíssimo nível técnico e sem expressão, estádios com péssimos gramados. Peço desculpas aos clubes do interior, mas a verdade é esta. E a Federaусo Gaúcha de Futebol (FGF)? Ela que, como autoridade dentre os clubes, deveria tornar o campeonato regional tão atrativo quanto o campeonato paulista, que é, sem dúvida, o mais organizado, disputado, e, por que não, bonito de se assistir. Além disto, a própria federação compra os passes de bons jogadores e repassam aos clubes através de promoções, como a que ocorreu com o Marcelinho Carioca, etc.

Se os times gaúchos não estão pensando ainda em arranjar uma parceria que realmente invista no clube, podem ir se acostumando a assistir os clubes do centro do País disputando os principais títulos do nosso futebol.

(Publicado originalmente na Edição 1, de 23 de março de 1998)

sobre o autor

André Roca
Jornalista, escritor e professor de Letras, mestre em Escrita Criativa

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