Três visões de Portugal

Por Rodrigo Machado

 

Centro Português de Fotografia situado na cidade do Porto. Foto: Wikipédia

 

Portugal, o país da arquitetura barroca, das grandes navegações e dos grandes descobrimentos, país onde se formou o primeiro Estado-Nação do mundo Ocidental, o país da literatura de Camões, Fernando Pessoa e atualmente do prêmio Nobel de literatura José Saramago, traz à capital gaúcha através do Centro Português de Fotografia, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre a amostra de fotografias denominada: “Olhares de Portugal”.

Essa amostra divide-se em três exposições: Murmúrios do tempo, Festa Africana e O Brasil brasileiro de Aurélio Paz dos Reis.

A amostra acontece até o dia 29 de abril no segundo andar da Usina do Gasômetro (Murmúrios do tempo e Festa Africana) e na galeria dos Arcos (O Brasil brasileiro de Aurélio Paz dos Reis), também na Usina. A usina esta localizada na Avenida Mauá, bem juntinho ao Porto e debruçada sobre o Guaíba.

 

Murmúrios do tempo

Exposição elaborada a partir de fotografias tiradas de detentos cadastrados na cadeia da Redenção onde hoje localiza-se o Centro Português de Fotografia, situado na cidade do Porto.

As imagens captadas pela lente da máquina fotográfica revelam muito mais que pessoas (prisioneiros) mas sim, o lado perverso da fotografia, que servia como meio de controle social fetichista dos grupos dominantes contra a ameaça da diferença como os pobres, loucos, doentes, ou seja, a delinquência. Ampliados em grande dimensão os retratos das crianças e velhos, adultos homens e mulheres; expressam a exaltação social da história da fotografia e o nascimento da ciência criminal.

É, sem sombra de dúvida, uma experiência estética emocional, densa e rica de significados onde os rostos anônimos e distintos entre si parecem querer lhe dizer todos sempre a mesma coisa.

 

Festa Africana

A exposição do fotógrafo Antônio Júlio Duarte, nascido em Lisboa no ano de 1965, que é um dos grandes nomes da nova geração de fotógrafos portugueses, em cuja obra predomina uma visão mais contemporânea dos fatos da realidade.

A amostra é uma celebração do corpo, das cores e dos sentidos. O fotógrafo utiliza cores vivas, provocantes em suas fotos são expressões do “olhar” e do esplendor do corpo. As fotos mostram os negros dos guetos, numa confraternização, festa alegre e colorida.

 

O Brasil brasileiro de Aurélio Paz dos Reis

Uns dos pioneiros da fotografia e do cinema em Portugal, o fotógrafo Aurélio dos Reis, nascido na cidade do Porto em 1862, era um apaixonado pelo Brasil.

Foi dessa paixão que surgiu a série fotográfica sobre o Brasil no início do século (1909), onde começavam a aparecer os primeiros sinais de urbanização e desenvolvimento industrial das metrópoles brasileiras.

São imagens com extrema precisão nos detalhes e movimento das pessoas. Retratam alguns flashes de um Brasil Republicano que ainda engatinhava. São retratos de 90 anos atrás, mas já mostravam coisas bem atuais como a miséria e as condições precárias de vida da maioria das pessoas da nossa sociedade.

São muito mais que simples fotos de viagem, são fotos velhas na sua história atuais na sua essência.

 

Viajando junto com as Fotos

Numa primeira parte as fotos mostram as pessoas no interior do navio, Astúrias em que Aurélio viajava para o Brasil. O elevador do início do século encontra-se nessa amostra.

Logo em seguida ocorre a sua chegada a cidade do Rio de Janeiro, onde as fotos revelam o centro (bonde), a urbanização, a miséria (mendigagem) tão habitual em nossas cidades. São aspectos sociais e geográficos da cidade maravilhosa. É nessa amostra que é possível ver um autorretrato do fotógrafo.

Depois é possível ver as fotos tiradas na Bahia onde o Brasil começou de fato; são fotos do povo baiano, a figura da baiana vendendo acarajé, uma feira tradicional, um retrato da cultura afro-brasileira em 1909.

Aurélio também fotografou a cidade de São Paulo, o desenvolvimento acelerado e sem controle, o centro da cidade, bares, cafés…

Retornando ao Rio de Janeiro, mais precisamente à cidade de Petrópolis, onde ele fotografou uma festa típica do século passado. Todos os homens de chapéu e as senhoras de vestido longo e armado.

Por Rodrigo Machado

 

 

Portugal, o país da arquitetura barroca, das grandes navegações e dos grandes descobrimentos, país onde se formou o primeiro Estado-Nação do mundo Ocidental, o país da literatura de Camões, Fernando Pessoa e, atualmente, do prêmio Nobel de literatura José Saramago, traz à capital gaúcha através do Centro Português de Fotografia, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, a amostra de fotografias “Olhares de Portugal”.

Essa amostra divide-se em três exposições: Murmúrios do Tempo, Festa Africana e O Brasil Brasileiro de Aurélio Paz dos Reis.

A amostra acontece até o dia 29 de abril no segundo andar da Usina do Gasômetro (Murmúrios do tempo e Festa Africana) e na Galeria dos Arcos (O Brasil brasileiro de Aurélio Paz dos Reis), também na Usina. A Usina esta localizada na Avenida Mauá, bem juntinho ao Porto e debruçada sobre o Guaíba.

 

Murmúrios do tempo

Exposição elaborada a partir de fotografias tiradas de detentos cadastrados na cadeia da Redenção onde hoje localiza-se o Centro Português de Fotografia situado na cidade do Porto.

As imagens captadas pela lente da máquina fotográfica revelam muito mais que pessoas (prisioneiros), mas sim o lado perverso da fotografia, que servia como meio de controle social fetichista dos grupos dominantes contra a ameaça da diferença como os pobres, loucos, doentes ou seja a delinquência. Ampliados em grande dimensão os retratos das crianças e velhos, adultos homens e mulheres; expressam a exaltação social da história da fotografia e o nascimento da ciência criminal.

É, sem sombra de dúvida, uma experiência estética emocional, densa e rica de significados onde os rostos anônimos e distintos entre si parecem querer lhe dizer todos sempre a mesma coisa.

 

Festa Africana

A exposição é do fotógrafo Antônio Júlio Duarte, um dos grandes nomes da nova geração de fotógrafos portugueses, nascido em Lisboa no ano de 1965.

A amostra é uma celebração do corpo, das cores e dos sentidos. O fotógrafo utiliza cores vivas, provocantes em suas fotos são expressões do “olhar” e do esplendor do corpo. As fotos mostram os negros dos guetos, numa confraternização, festa alegre e colorida.

 

O Brasil Brasileiro de Aurélio Paz dos Reis

Uns dos pioneiros da fotografia e do cinema em Portugal foi o fotógrafo Aurélio dos Reis, nascido na cidade do Porto em 1862 e que era um apaixonado pelo Brasil.

Foi dessa paixão que surgiu a série fotográfica sobre o Brasil no início do século (1909), onde começavam a aparecer os primeiros sinais de urbanização e desenvolvimento industrial das metrópoles brasileiras.

São imagens com extrema precisão nos detalhes e movimento das pessoas. Retratam alguns flashes de um Brasil Republicano que ainda engatinhava. São retratos de 90 anos atrás, mas já mostravam coisas bem atuais como a miséria, e as condições precárias de vida da maioria das pessoas da nossa sociedade.

São muito mais que simples fotos de viagem, são fotos velhas na sua história atuais na sua essência.

 

Viajando junto com as Fotos

Numa primeira parte as fotos mostram as pessoas no interior do navio, Astúrias, em que Aurélio viajava para o Brasil. O elevador do início do século encontra-se nessa amostra.

Logo em seguida ocorre a sua chegada à cidade do Rio de Janeiro, onde as fotos revelam o centro (bonde), a urbanização, a miséria (mendigagem) tão habitual em nossas cidades. São aspectos sociais e geográficos da cidade maravilhosa. É nessa amostra que é possível ver um autorretrato do fotógrafo.

Depois é possível ver as fotos tiradas na Bahia, onde o Brasil começou de fato; são fotos do povo baiano, a figura da baiana vendendo acarajé, uma feira tradicional, um retrato da cultura afro-brasileira em 1909.

Aurélio também fotografou a cidade de São Paulo, o desenvolvimento acelerado e sem controle, o centro da cidade, bares, cafés…

Retornando ao Rio de Janeiro, mais precisamente à cidade de Petrópolis, onde ele fotografou uma festa típica do século passado. Todos os homens de chapéu e as senhoras de vestido longo e armado.

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