Somos publicitários!

 Por Anelise Guterres

O publicitário famequiano é o ser mais bizarro que se tem notícia. Sonha com VTs premiados, Cannes, festivais mil, se titula um Washington Olivetto melhorado, acredita estar no nível de Guanaes.

A agência do publicitário famequiano tem muitos funcionários e cada um responsável somente pela sua função. Nessa agência as idéias são sempre brilhantes e premiadas e, claro, sempre suas. Nunca é preciso ficar até mais tarde e nem virar noites produzindo. Comer pizza todas as madrugadas, só se for por opção.

O publicitário famequiano acha que o cliente sempre lhe entende e adora suas ideias. O cliente, para essa criatura, é super compreensivo, não é rigoroso a prazos e não reclama preços.

O publicitário famequiano acha que ver Carla Perez vai queimar seu filme, assistir o Ratinho… credo! Tá pensando que eu sou burro?! Ver Gugu ou o Faustão… por favor! Tenho mais o que fazer. Ele acha brega ver novela, nunca leu Freud, afinal, ele é um louco cheirador de pó! E não entende porque Paulo Coelho vende tanto, e também não gosta de ler muito, ainda mais o que não é da sua “área”, pois eu ia esquecendo que o nosso publicitário é muito ocupado e não tem tempo para ficar lendo “qualquer coisa”. Ele não se interessa pelo que acontece por aí. Kosovo? O que é isso?

O publicitário famequiano acha que seu futuro está garantido e que sua carreira vai ser um sucesso, afinal, seguiu sua trilha certinho. Fez uma faculdade como o papai pediu, sabe mexer no computador e entende super bem o inglês, mesmo que seja o do Sepultura. Precisa mais do que isso.

O publicitário famequiano não entende que, para ser um publicitário, é preciso mais conhecimento do que se pode imaginar, é ter que absorver tudo, conhecer tudo, procurar entender tudo. É ser um pouco ator, se colocar no lugar das pessoas. É ser um pouco psicólogo, entender suas angústias e traduzi-las. É ser um pouco engenheiro, construir um planejamento que seja coerente e funcional. É ser um pouco médico, saber fazer o diagnóstico certo e saber receitar o melhor remédio para o cliente. E para isso, famequianos, creio que se precise mais de quatro anos de faculdade.

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