O jornalista e o carcereiro

 Por Nestor Tipa Júnior

O governo está perto de aprovar uma nova lei de imprensa que define como crime a publicação de matérias a fim de “travar” o jornalista ou comunicador que constranger autoridade judicial ou influenciar testemunhas. Aquele que relatar algo da vida de alguém que seja de interesse público será punido.

Em um país como o Brasil, onde as leis são apenas um livro na biblioteca pública, talvez venha uma lei que possa funcionar. Por quê? Pois essa lei favorece аqueles que nos comandam, ou seja, аqueles que fazem “tudo por debaixo dos panos”. Existe um velho ditado que diz: “Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”. Esse ditado se aplica às nossas autoridades, que fabricam leis para si mesmas. Ora, quem são eles para nos impor leis, se eles não respeitam nem mesmo as leis básicas?

Será que quem tem a missão de falar a verdade e denunciar os erros dos nossos “comandantes” deve ir para uma cela bater com uma caneca nas grades para chamar o carcereiro? Faça-me o favor, “Seu Autoridade”. Quem é o senhor para nos pedir isso?

(Publicado originalmente em 23 de março de 1998)

sobre o autor

Nestor Tipa Junior
Jornalista, fundador da 359 Online. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul (Rádio Gaúcha, Rádio Guaíba, Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, Canal Rural e Rádio Rural). Especializado no agronegócio, conquistou 17 prêmios de jornalismo na carreira. Atualmente é fundador e sócio-diretor da AgroEffective Comunicação e Agronegócio, agência de comunicação que atende entidades e empresas do setor rural.

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