Derrubando as barreiras culturais

 Por Alejandro Morales Vargas*

Tradução: Nestor Tipa Júnior

O vertiginoso processo de globalização que vive nossa humanidade se vê travado pela resistência das culturas a se abrirem e serem capazes de interessar aos outros. Longe estamos de ter um jornalismo comum na América do Sul; entretanto, os novos meios abrem um espaço para se saber o que acontece além de nossas fronteiras.

Já não é novidade dizer que a profecia de Marshall McLuhan está se cumprindo a passos largos. O fenômeno de viver em uma aldeia global cobra vital importância para os habitantes do Mercosul.

A maioria dos processos de abertura começam por motivos comerciais. As economias da América do Sul descobriram, às portas do século XXI, que a única maneira de emergir era se agrupar em um grande bloco que expandiria seus mercados por toda a região. Desta maneira, ao estilo do NAFTA, União Europeia ou APEC, desde 1995 Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai vivem um processo de integração que tem trazido grande vantagens para o Cone Sul.

Mas nem todos os âmbitos da sociedade se acostumam ao mesmo tempo a este novo sistema. O acervo cultural de cada nacionalidade não é fácil para aceitar agentes exógenos. A comunicação tem se agilizado entre estes países, estamos muito longe ainda de poder falar de um jornalismo para a América do Sul.

É fundamental poder estender a informação aos países vizinhos, mas para que isso ocorra tem de existir algo fundamental: interesse por saber o que acontece além da nossa fronteira. E isso, em muitos casos, não existe.

O espaço dedicado às notícias internacionais todavia é precário para grande parte dos meios informativos. Não se pode falar de nacionalismo ou falta de sentido global, simplesmente é lógico que para o cidadão seja mais relevante o que lhe é mais próximo. Não há mal nisso. É mais, muitas vezes ocorre que as notícias vindas da Europa ou Estados Unidos ganham grande destaque, enquanto graves problemas sociais passam despercebidos. O caso amoroso do Presidente Clinton, por exemplo, serviu para calar muitas realidades locais.

Poucas são as notícias que transcendem as fronteiras dentro do Cone Sul. A crise política paraguaia, o caso Pinochet no Chile, a queda do real no Brasil ou a possível reeleição do presidente argentino são alguns dos poucos temas que parecem interessar aos editores dos meios. Dia a dia, as agências de notícias expandem o acontecer dos países, mas estes se vêem reduzidos a mínimos espaços.

Há uma série de fatores culturais que agravam ainda mais esta situação. A diferença de idioma entre Brasil e o resto dos países do Mercosul é uma barreira que ainda não se superou. Se bem que há diferenças no ensino de outras línguas dentro dos programas escolares, a maioria da população não domina outro idioma que não o materno.

Diferente é também a realidade jornalística de cada país. Ainda quando a democracia e a liberdade de expressão tem chegado para ficar na nossa região, a quantidade de meios e a propriedade destes não é igual em cada país. A proporção entre o Estado e o setor privado no controle dos meios de comunicação social, varia consideravelmente em cada nação. Tudo isso redunda em que o espaço informativo não apresenta características homogêneas.

Interconexões

Que o futuro depara avanços no tema da globalização comunicacional é algo irreversível. Mais ainda, de continuar com as características atuais, o processo de integração do Cone Sul seguirá alcançando muitos mais âmbitos. E ante isso o jornalismo não pode ficar atrás. Estamos preparados para isso?

Os meios que se podem ocupar para derrubar as fronteiras da informação são muitos: emissoras de rádio onda curta, televisão a cabo, agências de notícias e a Internet, entre outros. Este último é o de mais promissoras expectativas.

É difícil pensar em um jornal impresso para o Mercosul, porém, as edições eletrônicas da imprensa têm um potencial enorme. Mediante as páginas da World Wide Web, uma pessoa pode se informar no instante em que o fato está em outras latitudes. Esse feito, que para os mais acostumados à tecnologia já não é nada de surpreendente, pode ser a grande oportunidade para se criar uma identidade comum. Internet pode e deve se consolidar como a grande vitrine da região. Um espaço em que caiba cada realidade .

Muito fica por se fazer também no plano da telefonia e da televisão. Se por cabo podem-se ver os sinais de vários canais de países sul-americanos, estes não têm uma programação dirigida a um público internacional. Por isso, não é gratificante ver noticias carregadas de modismos locais e feitas para ser entendidas por seus compatriotas unicamente. Além disso, usam una suposta objetividade, já que tirá-las do contexto perdem veracidade universal. Tanto no rádio como na TV se exibem repetições dos programas nacionais, não realizações especiais com o fim de serem entendidas fora das fronteiras.

Só se dará um impulso real à região à medida em que os donos dos meios entendam a importância de se criarem vínculos comunicacionais. Não há desenvolvimento sem sociedades informadas e com absoluta liberdade de expressão. E, se a geografia e as relações comerciais nos unem, por que não abrir espaços a outras culturas irmãs sem necessidade de discriminar as nossas?

* Estudante de Jornalismo da Universidade de Chile

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