Comunicação integrada: um impasse permanece

Por Daniela Dariano

Foi ali no teatro do prédio 40, pertinho da Famecos, que aconteceu, na última terça-feira, às 20h, o painel “Comunicação Integrada – um caminho para o futuro”, organizado pelos alunos de relações públicas do 7º nível desta faculdade. Quem foi, gostou. Valia a pena levar falta na aula do segundo período noturno para dar uma olhada no que (e como) está sendo feito em Comunicação em Porto Alegre. Mas nem isso foi preciso, os participantes receberam, ao fim das palestras, um certificado que os isentou das faltas.

Excelente organização e participação de pessoas de diferentes locais de trabalho fizeram do painel uma boa ilustração da situação da Comunicação no final do século em nosso Estado. Em tempos de globalização (mesmo que poucos suportem ouvir o termo pela enésima vez , ninguém consegue escapar dele), integração é a palavra de ordem. Isto não vale só para a Economia. Na Comunicação, é assim que o futuro está chegando, ao menos na opinião dos palestrantes.

Falaram, naquela noite, Neka Machado, jornalista, relações públicas da Opinião Produtora e professora da Famecos; Luciana Brambilla e Márcio Gomes, relações públicas da Elografia; e Vera Spolidoro, secretária especial de Comunicação do Estado, em substituição a Guaracy Cunha, secretário estadual das Comunicações do Estado, que acabou por não comparecer. Para um público de cerca de 500 estudantes de todas as áreas da Comunicação Social em proporções numéricas equilibradas, cada um dos palestrantes teve oportunidade de divulgar seus projetos, trabalhos e sucessos. Tudo foi transmitido, com a bandeira da integração, da não-segmentação, da unidade comunicacional.

À defesa de uma união entre relações públicas, jornalistas e publicitários (e ainda houve quem acrescentasse os especialistas em marketing) foram acrescidas ideias básicas para o êxito de ações como o conhecimento do cliente, do cliente do cliente (estranho, mas é isso mesmo), da concorrência e da posição a ser ocupada no mercado. E, principalmente, foi enfatizada a ideia de equipe. De nada adianta investir em anúncios se não há coerência na linguagem de todos os funcionários. Mas para isso, é preciso educação.

As mudanças na cultura da empresa têm caráter de processo, como tal são lentas e envolvem um convencimento de toda a equipe. E é aí que entra o profissional de Comunicação Social. Ele é o encarregado de abrir os olhos do empresário e os novos caminhos para o futuro da empresa.

Não há quem possa negar a realidade exposta diante do sucesso de projetos dos ali presentes. Porém, é interessante mostrar que cada atividade é pensada conforme suas contingências.

Foi mostrada a Comunicação no setor público, por exemplo, que tem apresentado grandes transformações nos últimos anos. Passou da segmentação, em que os jornalistas se viam solitários e da qual só a palavra imprensa fazia parte, a um projeto integrado com profissionais de relações públicas e publicitários. De uma cultura esquerdista panfletária a ações alternativas diretas com a população, compensando a falta de verbas para investir na mídia.

Já no setor privado, a história é outra. A crença na publicidade mágica, capaz de vender qualquer coisa com o auxílio da mídia e o preconceito contra os relações públicas, coisa que parece ocorrer já na Academia, aparecem como os maiores obstáculos para a realização de uma unidade comunicacional.

O discurso era uníssono, o que acaba por determinar que a Comunicação Integrada não é apenas “um”, mas “o” caminho do futuro para empresas que procuram o sucesso. Quanto à forma de integração, parece ainda haver algumas dissonâncias entre os palestrantes. Houve quem defendesse as interferências sem pruridos entre os diferentes profissionais da Comunicação, houve os que reclamassem por uma integração no limite das funções específicas de cada área. A unanimidade estava em conceber os projetos de Comunicação como uma unidade coerente e consciente da importância do outro.

Junto às certezas, permaneceu uma dúvida: qual é, afinal, o papel das universidades na formação de profissionais da comunicação? O futuro seria, como sugeriu Vera Spolidoro, um regresso ao passado, quando as faculdades formavam comunicadores completos, num currículo não-segmentado? Seria apenas abrir os olhos do futuro comunicador para a realidade lá fora e manter cursos segmentados que pouco parecem ter a ver com o que se encontra no mercado?

Num mundo em que cresce, a todo instante, a necessidade de especialistas para as novas funções que não param de surgir, é estranho pensar num retorno à não-segmentação. Permanece o impasse. Tem-se, aí, um bom tema para novo painel.

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