A culpa é do Fofão da Augusta

 Por Nestor Tipa Júnior

Sempre me pediam para relembrar as coisas da 359 Online. Alguns diziam “Vamos fazer uma memória disso”, outros então iam mais longe: “Vamos fazer de novo”. E eu sempre pensava que era besteira, o que passou, passou. Não tinha tempo e nem vontade de criar tudo isso, muito menos fazer algo novo de novo. Fala sério! Mas eis que surge um personagem descrito em uma reportagem que fez com que eu revisse meus conceitos.

Foi no mês de novembro do ano passado que me deparei com uma grande reportagem no Buzzfeed sobre o Fofão da Augusta. Aquela leitura foi me deixando inquieto e, até de certa forma, incomodado. Junto com a interatividade da história, fui me conectando a como muitas vezes tivemos histórias como estas na 359 Online e elas estavam escondidas aqui no meu HD. A partir daí junto com uma equipe inicial, a inquietude veio a dar forma àquilo que foi pedido lá no parágrafo inicial.

A mesma inquietude que há exatos 20 anos, num 23 de março de 1998, fez com que este site fosse ao ar. Aquele logo rodando colorido numa capa de site hospedado no final do Geocities com um endereço monstrengo que mal dava para decorar. Era a inquietude de uma turma que não queria esperar até o quinto semestre para produzir conteúdo. Tinha que ser ali, e agora.

E assim foram cinco anos de duração. Produzindo com os recursos possíveis da época. Foto de celular? Não tinha. Era no máximo uma câmera digital com um disquete de míseros 1mb. Vídeo? Nem sonhando. Divulgação em redes sociais? O que era isso? Nem o Orkut existia ainda. Mas o que existia era vontade de fazer e criar coisas legais.

Obviamente nem tudo era fácil. Como mobilizar pessoas para fazer aquilo voluntariamente? Hoje em dia, mais calejados, sabemos que não existe almoço grátis. Antes era o editor chato que deixou de aproveitar as boas coisas da juventude em uma universidade para se dedicar a este projeto (ufa! ainda bem que ele teve saúde e jovialidade ainda para aproveitar depois e tirar o tempo perdido).

Por essas e outras que nem imaginava que daria algum barulho fazer algo novo. A ideia inicial era apenas republicar textos antigos. Mas tem muita coisa que vem surgindo com a empolgação inicial de todo mundo. Pode ser fogo de palha? Talvez. Mas a ideia é que cada um participe da forma que achar melhor e gostar. Quer fazer um projeto? Faça. Quer apenas fazer um blog de um assunto que gosta? Toca ficha. Não quer fazer nada, apenas participar de confraternizações e ficar olhando? O editor chato não vai cobrar. Participe do seu jeito. O céu é o limite.

E os 20 anos se passaram. Todo mundo viveu a vida, a profissão. Fizeram currículo, trabalharam em lugares importantes, ganharam prêmios e dinheiro. Outros desistiram dessa profissão tão desvalorizada nos últimos tempos. Quem sabe aqui não esteja a porta para, ao menos como hobby, usar aquela profissão que foi apaixonado um dia para algo? A escolha é sua. Da nossa parte, queremos estar perto das pessoas que convivemos e gostamos.

Se um dia alguém for para São Paulo ou que more lá atualmente, sugiro procurar o túmulo do Fofão da Augusta, deixa umas rosas e diga o seguinte: “Cara, tu fostes o motivo inicial que uma turma que fez um projeto há 20 anos se reunisse de novo agora. Obrigado por tudo”.